O calor está acentuado por aqui. Apesar do inverno...As nuvens e as chuvas que não se acumulam em nenhuma montanha porque como voce sabe, Marilia não tem montanhas, aparecem no ceu todos os dias mas nada de molhar as nossas pequenas vidas terrestres. Só aparecem...Pura aparência
Abrí uma revista eletrônica da Abril chamada "Vida Simples". Já comprei alguns números desta revista e sempre constatei que a vida simples que ela propõe é muito complexa para mim e o pior, cara. Então fiquei pensando estas coisas. Não seria uma falta de modéstia? Fiquei então pensando nesta palavra, modéstia. O que pode ser modéstia? Consultando velhos livros encontrei a expressão, "os efeitos da modéstia nos homens simples." O que é que é que a modéstia faz com os homens simples?
Lendo a entrevista de Gilles Deleuze conclui que ele é um super homem simples. Apesar do seu status no "mundo da filosofia", e de ter sido a vida inteira um professor; a sua simplicidade impõe um brilho totalmente diferente à de um professor universitário e gozando do prestígio de ser o maior filósofo da contemporaneidade. Ele tem a desenvoltura do Chico Buarque de Hollanda e a simplicidade de um sambista do morro dando entrevistas na Globo.Tornaram-se famosos e não se vangloriam por.
terem atingido a fama com fazem muitos.
Nunca ví total ausência de vaidade em relação ao próprio valor, às proprias realizações. Sem alardes e sem pompas filosóficas ele vai "pesando as coisas" como, penso eu, deve fazer um filósofo simples e cotidiano. Os gatos e os cães. As pulgas e os carrapatos. O alcoolismo, o surfe e os dobradores de papel vão fazendo a filosofia deste homem simples e doente. Inculto como ele diz.
Lendo esta entrevista concluí que poderíamos seguir dois caminhos. Uma bifurcação. De um lado os textos deleuzianos sobre a representação e a crise da representação; do outro, é sobre a "vida filosófica". Deleuze sempre deu muita atenção para isto. No seu livro sobre Spinoza, "Espinoza - Filosofia Prática" ele escreveu o seguinte: "O filósofo se apropria de virtudes ascéticas - humildade, pobreza, castidade - para fazê-las servir a fins totalmente particulares, inusitados, na verdade muito pouco ascéticos. Ele faz delas a expressão de sua singularidade. Mas isso não significando para ele fins morais, nem tampouco meios religiosos para outra vida, mas antes os efeitos da própria filosofia. E isso porque para o filósofo não existe em absoluto outra vida."
Os efeitos da modéstia nos homens simples é torna-los grandes sem que com isso eles se vangloriem. Assim, pelo menos é o que eu entendo das lições dos antigos livros chineses, quando eles falam da modéstia. Para Deleuze os efeitos da filosofia é tornr os filósofos, humildes, pobres e castos. Se estes efeitos não se realizam em certas pessoas é porque elas não estão aptas para a "vida filosófica". E ele continua dizendo o seguinte: "De tal modo que, ao atacar o filósofo, sofremos a vergonha de atacar um invólucro modesto, pobre e casto; o que intensifica a raiva impotente, pois ele, o filósofo, não oferece nenhuma resistência, a despeito de padecer de todos os golpes."
Considero que os efeitos da filosofia é levar o sujeito para uma vida simples, modesta. E considerando que os efeitos da modéstia é a elevação dos simples sem a vaidade. Pode-se dizer então, que modéstia e filosofia se intercambiam circularmente.
Eu estou nesta onda agora. Tô querendo saber alguma coisa sobre modéstia. Mas também porque ficou claro que a modéstia é poderosa. Uma elite encastelada de titulares acadêmicos contra uma ocupação estudantil modesta, alegre e criativa. A reitora e os seus colegas titulares perderam e a alegria ganhou. Não sem esforços.E não se sabe até quando. Normalmente não demora muito e a depressão retorna. Mas como você deve saber: de alegria em alegria a galinha enche o papo.